G1
A anexação dos territórios ucranianos ocupados pela Rússia "não é negociável" em um eventual diálogo para o fim da guerra na Ucrânia, afirmou o Kremlin nesta quinta-feira (27).
"(Esses territórios ocupados) são parte integrante do nosso país. É absolutamente incontestável e não é negociável", disse nesta terça-feira o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.
Atualmente, as tropas de Moscou ocupam cerca de 20% de todo o território ucraniano, contando com a Crimeia, península ucraniana que a Rússia invadiu e anexou antes da guerra, em 2014.
A afirmação do Kremlin pode significar um naufrágio em tentativas de negociação para o fim da guerra, já que a Ucrânia já disse que não abre mão de recuperar seus territórios.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vem tentando intermediar a negociação — Rússia e EUA já travaram conversas para uma proposta para o fim da guerra da Ucrânia, em um diálogo que deixou de fora Ucrânia e os países da Europa.
No fim de semana, em uma declaração inédita, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, disse que estaria inclusive disposto a deixar o governo de seu país em troca do fim da guerra na Ucrânia. Foi a primeira vez que o presidente ucraniano, eleito em 2019, falou em deixar o cargo desde o início da guerra, que completou três anos nesta semana.
Sobre a devolução dos territórios ocupados pela Rússia, no entanto, Zelensky já disse que não recuará.
Territórios
russos ocupados
Desde o final de setembro de 2022, a Rússia reivindica a anexação de quatro regiões da Ucrânia:
Lugansk, que
ocupa praticamente em sua totalidade;
Donetsk;
Zaporizhzhia;
Kherson;
A Rússia
anexou em março de 2014 a península ucraniana da Crimeia, após uma intervenção
militar relâmpago seguida por um referendo. A comunidade internacional não
reconhece a anexação.
As tropas
russas também ocupam algumas áreas da região de Kharkiv, no nordeste da
Ucrânia.
Já a Ucrânia ocupa centenas de quilômetros quadrados na região fronteiriça russa de Kursk, após uma contra-ofensiva de Kiev. O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, deve tentar usar o território de Kursk como moeda de troca, uma opção que o Kremlin recusa.
A guerra da Ucrânia, que começou quando tropas russas invadiram a parte leste do país, completará três anos na segunda-feira (24) ainda sem perspectiva de um fim.
O conflito,
que começou em reação da Rússia à intenção de Zelensky de ingressar na Otan, já
atravessou diversas fases, desde ameaça de tomada de Kiev, passando por um
período de paralisia e o contra-ataque da Ucrânia com a invasão de regiões da
Rússia perto da fronteira.
Nenhuma delas, no entanto, teve efeitos práticos significativos. Atualmente, as tropas russas ocupam cerca de 20% do território ucraniano. Não conseguem avançar, mas também não são expulsas por contra-ofensivas das tropas ucranianas.
No fim do ano
passado, a chegada à Ucrânia de caças europeus e norte-americanos deu um
impulso em ações de Kiev, e Zelesnky chegou a apresentar a seu Parlamento um
projeto que chamou de "plano da vitória", em que detalhava de que
forma seu país conseguiria vencer a guerra e expulsar as tropas russas.
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