Candidatura de Carlos Bolsonaro provoca crise no PL catarinense, ameaça alianças locais e divide aliados de Jair Bolsonaro a menos de um ano das eleições

Décimo maior colégio eleitoral do país, Santa Catarina, com 5,5 milhões de votantes, é um dos estados mais alinhados à direita e ao bolsonarismo. Nunca governado pela esquerda, o estado elegeu Jorginho Mello (PL) com 71% dos votos em 2022 e formou bancadas amplamente conservadoras. Agora, o desejo do ex-presidente Bolsonaro de lançar o filho Carlos ao Senado criou uma crise entre aliados locais. A chegada do “forasteiro” ameaça acordos entre o PL e o PP, que previa as candidaturas de Caroline De Toni (PL) e Esperidião Amin (PP). Para abrir espaço a Carlos, Caroline foi preterida, gerando descontentamento entre bolsonaristas e abrindo uma disputa interna pela chamada “chapa Car-Car” (Carlos e Caroline).
A manobra dividiu o PL catarinense. Caroline De Toni ameaçou sair do partido, e a deputada estadual Ana Campagnolo criticou duramente a imposição de Carlos, dizendo que o ex-presidente sacrificava aliados locais. As críticas irritaram o clã Bolsonaro, que reagiu publicamente: Eduardo e Flávio defenderam a lealdade ao pai, e Michelle Bolsonaro declarou apoio a Caroline, mesmo fora do PL. O ex-presidente tenta fortalecer o poder da família no Senado, mas enfrenta resistência e dificuldades — Eduardo está politicamente fragilizado no exílio, Flávio disputa acirrada no Rio, e Carlos testará sua força fora do reduto carioca, em um cenário de tensão crescente entre aliados da direita em Santa Catarina. Da Veja