Para Macron, o órgão proposto pelos EUA extrapola Gaza e levanta preocupações sobre a Carta da ONU

O presidente da França, Emmanuel Macron, recusará o convite feito por Donald Trump para integrar o chamado Conselho da Paz, órgão internacional que pretende supervisionar a reconstrução e a governança da Faixa de Gaza. A informação foi confirmada nesta segunda-feira (19/1) por um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores francês, que afirmou que, embora Macron tenha recebido o convite, a decisão até o momento é de não participar, citando preocupações com o escopo ampliado do conselho e com o respeito à Carta das Nações Unidas, já que o texto que rege o novo órgão vai além da situação específica de Gaza prevista em resoluções da ONU.
Apesar da recusa francesa, outros líderes foram convidados a integrar o conselho, entre eles o presidente da Rússia, Vladimir Putin, cujo convite foi confirmado pelo Kremlin, e o presidente da Bielorrússia, Alexander Lukashenko, que sinalizou disposição para participar. Segundo relatos da imprensa internacional, o órgão seria presidido por Trump e incluiria nomes como Tony Blair, Marco Rubio e Steve Witkoff, além de convites enviados a cerca de 60 países, incluindo Brasil, Alemanha, Índia e Turquia, com possibilidade de participação por até três anos ou adesão permanente mediante pagamento, ponto que não foi oficialmente comentado pela diplomacia francesa.
Por Manuela de Moura