Pequim afirma ter “interesse comercial substancial” na disputa e solicita participação nas consultas entre Brasil e Estados Unidos

A China pediu formalmente para participar das consultas abertas pelo Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as tarifas impostas pelo governo de Donald Trump a produtos brasileiros. Em documento enviado à entidade, Pequim afirmou ter “interesse comercial substancial” na disputa e solicitou autorização para acompanhar as discussões entre Brasil e Estados Unidos.
O pedido foi apresentado pela delegação chinesa em 6 de agosto e está relacionado ao processo iniciado pelo Brasil contra os Estados Unidos. Segundo Pequim, as medidas adotadas pelo governo norte-americano também afetam produtos de origem chinesa comercializados no mercado dos EUA, alterando as condições de concorrência.
Pelas regras da OMC, países que comprovem interesse comercial substancial podem solicitar participação nas consultas. A entrada da China, porém, depende da aceitação de Brasil e Estados Unidos, que são diretamente envolvidos na disputa.
O governo do presidente Lula (PT) acionou a OMC em 27 de julho para contestar as sobretaxas aplicadas pelos EUA a produtos brasileiros. A ação questiona duas medidas: uma tarifa adicional de 25%, relacionada a uma investigação sobre supostas práticas comerciais injustas, e outra de 12,5%, vinculada a uma investigação sobre suposto uso de trabalho forçado. Somadas, as medidas podem elevar a tarifa sobre determinados produtos brasileiros a até 37,5%. O Brasil argumenta que as tarifas são unilaterais, discriminatórias e violam compromissos assumidos pelos Estados Unidos no sistema multilateral de comércio.