Comissão vai apurar supostas irregularidades em contratos que somam até R$ 1,2 bilhão e possíveis ligações entre agência vencedora e parente da governadora

A Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) aprovou a criação de uma CPI para investigar supostas irregularidades em contratos de publicidade do governo da governadora Raquel Lyra (PSD). O foco é um contrato de R$ 100 milhões e uma licitação de R$ 120 milhões, que pode alcançar R$ 1,2 bilhão em 10 anos.
As suspeitas envolvem a ligação entre a agência E3 Comunicação — vencedora de parte da licitação — e Waldemiro Ferreira Teixeira, primo da governadora. Há também indícios de conflito de interesses e favorecimento, além de questionamentos sobre a prorrogação legal do contrato de 2019.
A CPI terá duração mínima de 120 dias, com nove deputados titulares e nove suplentes, e ocorre num contexto político tenso, já que a oposição domina 15 das 17 comissões da Alepe. A iniciativa é liderada pela deputada Dani Portela (PSOL), e conta com apoio de 18 parlamentares, em sua maioria da oposição ou de partidos ligados ao prefeito do Recife, João Campos (PSB), principal adversário político de Raquel para 2026.
A investigação poderá se estender até dezembro, coincidindo com o início da pré-campanha eleitoral, o que pode prejudicar politicamente a governadora, que enfrenta dificuldades para se reeleger. O governo ainda não se posicionou oficialmente sobre o caso.