Pressionado pelo governador do Ceará, Lula confirma a saída de Danilo Cabral da Sudene; senador Humberto Costa mantém o poder de indicar o sucessor, revelando disputas internas no PT

A pressão para a saída de Danilo Cabral do comando da Sudene confirma mais uma vez que, na política, as disputas regionais e partidárias falam alto — muitas vezes, mais alto que a estabilidade institucional ou técnica dos cargos. A pressão do governador do Ceará, Elmano de Freitas, foi decisiva para sua queda, evidenciando o peso que os interesses locais têm sobre decisões do governo federal, mesmo em um órgão estratégico como a Sudene. O que chama atenção, no entanto, é que, apesar da vitória política do grupo cearense ao derrubar Danilo, o cargo não será entregue ao PT do Ceará, revelando o jogo de equilíbrio interno do PT nacional e a tentativa de evitar o fortalecimento excessivo de uma ala regional.
Ao manter o direito de indicar o substituto nas mãos do senador Humberto Costa, o Planalto busca preservar a coesão entre os aliados e evitar fissuras dentro do próprio partido. A possível nomeação de Diego Pessoa, já cotado anteriormente, mostra que há um esforço por manter certa continuidade técnica e não transformar a Sudene em moeda de troca irrestrita. Ainda assim, a interferência política escancara o quanto cargos estratégicos continuam sendo palco de barganhas entre lideranças regionais — uma prática que, embora comum, enfraquece a autonomia e a credibilidade de órgãos que deveriam estar voltados ao desenvolvimento de longo prazo.