ONG confirma adiamento da execução de jovem condenado por participar de protestos, em meio a pressão internacional e declarações de Trump sobre possíveis intervenções no Irã

A execução de Erfan Soltani, jovem de 26 anos condenado à morte após ser detido durante os protestos no Irã, foi adiada, segundo informou nesta quarta-feira (14/1) a Organização Hengaw para os Direitos Humanos. De acordo com a ONG, que atua na denúncia de violações de direitos humanos no Curdistão e no Irã, familiares confirmaram que a ordem de execução prevista para esta quarta-feira não foi cumprida. Soltani foi preso em 8 de janeiro, em sua casa, na cidade de Fardis, e condenado à pena de morte em um julgamento considerado rápido e obscuro, podendo se tornar a primeira execução relacionada aos recentes atos contra o governo do aiatolá Ali Khamenei. Até o momento, o governo iraniano não se pronunciou sobre o caso, nem informou se ou quando a sentença será executada.
O adiamento ocorreu poucas horas após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou ter recebido informações de que as execuções no Irã estariam sendo interrompidas e que não haveria mais planos imediatos para cumprir penas de morte. Dias antes, Trump havia sinalizado a possibilidade de interferência americana caso manifestantes fossem executados, enquanto o Irã acusa os EUA de estarem por trás dos protestos, que já duram 17 dias. Organizações de direitos humanos relatam forte repressão, com mais de 2,4 mil mortos e cerca de 18,4 mil presos em manifestações registradas em ao menos 187 cidades, números que ainda não foram oficialmente confirmados por Teerã.
Por Junio Silva