Erfan Soltani, de 26 anos, será executado nesta quarta-feira; protestos contra o regime dos aiatolás já deixaram centenas de mortos e milhares de presos, segundo ONGs e autoridades internacionais

O manifestante iraniano Erfan Soltani, de 26 anos, preso por sua participação nos protestos contra o regime dos aiatolás na cidade de Karaj, deve ser executado nesta quarta-feira (14) pelas autoridades do Irã, segundo a organização humanitária curdo-iraniana Hengaw. De acordo com a ONG, ele será enforcado — método mais comum de execuções no país — e a família foi informada de que a sentença é definitiva. Soltani foi detido em sua casa na última quinta-feira (8), não teve acesso a advogado nem houve audiência judicial, o que aumenta as preocupações de organizações de direitos humanos sobre o uso da pena de morte para reprimir manifestações públicas.
As manifestações, que começaram em dezembro devido à crise econômica do Irã, evoluíram para protestos contra o regime dos aiatolás, e a repressão violenta já teria deixado cerca de 2.000 mortos, segundo autoridades iranianas ouvidas pela Reuters, que classificaram os manifestantes de “terroristas”. ONGs como a Iran Human Rights e HRANA relatam que mais de 10.670 pessoas foram presas e 538 morreram, incluindo manifestantes e policiais. A situação é agravada pelo isolamento do país após o corte da internet pelo líder supremo Ali Khamenei, dificultando a verificação de números oficiais.
A comunidade internacional também se posicionou: o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, declarou estar horrorizado com a repressão às manifestações pacíficas. Já o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou intervenção caso os protestos continuem sendo reprimidos violentamente, afirmando que os norte-americanos estão prontos para ajudar os iranianos que buscam liberdade. Enquanto isso, autoridades iranianas acusam os EUA e Israel de instigar os protestos, afirmam que estão preparados para guerra ou diálogo e reforçam que a segurança nacional é prioridade, mantendo a população sob forte vigilância e controlando o fluxo de informações. G1