Declaração ocorre em meio à maior onda de protestos no país desde 2022, que já deixou ao menos 36 mortos

O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, afirmou nesta sexta-feira (9/1) que o governo iraniano não vai recuar diante da onda de protestos que atinge o país há 13 dias consecutivos, em seu primeiro pronunciamento desde o início das manifestações, no fim de 2025. Segundo Khamenei, a turbulência é provocada por “sabotadores” que estariam tentando agradar o presidente dos Estados Unidos e estimular uma intervenção externa, e reforçou que a República Islâmica, fundada com o sacrifício de “centenas de milhares de pessoas honradas”, não cederá diante da destruição, em meio a reivindicações populares motivadas pela grave crise econômica agravada por sanções internacionais.
As declarações ocorrem em um contexto de forte repressão estatal, que incluiu um apagão quase total da internet na quinta-feira (8/1), deixando sites iranianos inacessíveis, segundo a plataforma NetBlocks. Considerada a maior onda de protestos desde 2022, a mobilização já resultou em 36 mortes, sendo 34 manifestantes e dois agentes de segurança, conforme dados da HRANA. Diante do agravamento da crise, o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou uma intervenção norte-americana caso civis sejam mortos durante os protestos.
Por Junio Silva