Ataques à imprensa se repetem em governos autoritários, e ressurgem até em democracias como EUA e Brasil, com Trump e Bolsonaro liderando ofensiva contra a liberdade de expressão

Em países democráticos, como o Brasil, a ideia de que o governo deva controlar a imprensa e submetê-la às suas vontades soa absurda e autoritária — algo restrito a regimes como Rússia, Coreia do Norte e Venezuela e tantos outros. Práticas como pressionar emissoras para demitir jornalistas críticos, negar respostas em entrevistas e favorecer influenciadores alinhados ao poder destoam da liberdade de expressão. Curiosamente, essas atitudes foram observadas no governo Bolsonaro, que isolou a imprensa ao criar um “cercadinho” onde apenas apoiadores tinham acesso, limitando o contato dos jornalistas com o presidente. Essa postura autoritária contrasta com a tradição democrática brasileira, que valoriza a diversidade de opiniões e o jornalismo livre.
Nos Estados Unidos, berço da democracia e da Primeira Emenda, que garante a liberdade de expressão e da imprensa, Donald Trump tem dado sinais claros de censura. Apesar de ter usado a bandeira da liberdade para sua campanha, o ex-presidente passou a intimidar jornalistas críticos, pressionando emissoras e chegando a influenciar a não renovação de contratos de apresentadores como Stephen Colbert. Programas foram suspensos após críticas ao seu governo, e o chefe do órgão regulador de mídia defendeu a substituição de conteúdo que “não servisse ao público”. Além disso, o Departamento de Defesa exige autorização prévia para publicações jornalísticas, configurando uma ameaça crescente à liberdade de imprensa. Essa ofensiva autoritária nos EUA espelha as ações do governo Bolsonaro, evidenciando uma conexão entre os dois líderes no ataque ao jornalismo independente. Por Ricardo Noblat / Claudemi Batista