EUA pedem que cidadãos deixem o Irã imediatamente em meio a protestos violentos e risco de execução de manifestante preso

O governo dos Estados Unidos emitiu nesta terça-feira (13/1) um alerta para que cidadãos norte-americanos deixem o Irã “imediatamente”, diante da intensificação dos protestos contra o regime do aiatolá Ali Khamenei e do aumento da repressão estatal. O comunicado, divulgado pela Embaixada dos EUA responsável pelo país, ressalta que as manifestações podem se tornar violentas, com registros de prisões, feridos e mortes, enquanto o governo iraniano reforça a segurança, fecha estradas, interrompe o transporte público e impõe bloqueios severos à internet e às redes móveis. Autoridades americanas recomendam que, se possível, a saída seja feita por via terrestre, especialmente pelas fronteiras com Turquia ou Armênia, e alertam que os cidadãos não devem contar com assistência direta dos EUA para deixar o país.
O alerta acontece no contexto de tensões crescentes após Donald Trump afirmar, em entrevista à CBS News, que Washington tomará “medidas muito enérgicas” caso o Irã execute manifestantes presos, sem detalhar quais ações seriam adotadas. O Departamento de Estado dos EUA informou que as autoridades iranianas planejam executar nesta quarta-feira (14/1) o jovem Erfan Soltani, de 26 anos, e que mais de 10.600 iranianos foram presos “simplesmente por exigirem seus direitos básicos”. Trump também incentivou os manifestantes a permanecer nas ruas e garantiu que a “ajuda” dos EUA “está a caminho”, mencionando até apoio econômico.
Desde o início dos protestos em dezembro, que começaram por causa da crise econômica e se transformaram em manifestações contra o regime dos aiatolás, cerca de 2.000 pessoas já teriam morrido, segundo a imprensa internacional. A situação no país permanece tensa e volátil, com relatos de repressão violenta pelas forças de segurança e bloqueios à comunicação, dificultando o acompanhamento preciso dos acontecimentos e reforçando a preocupação das autoridades internacionais com a segurança dos cidadãos no Irã.
Por Manuela de Moura