Presidente articula com o centrão e avalia mudança na vice para fortalecer frente ampla e garantir vantagem eleitoral

O presidente Lula colocou em marcha uma estratégia política em duas frentes para fortalecer sua candidatura à reeleição e tentar isolar o senador Flávio Bolsonaro. De um lado, busca afastar partidos do centrão do campo bolsonarista; de outro, avalia a possibilidade de reformular sua chapa presidencial para atrair o MDB, ampliando o arco de alianças e garantindo mais tempo de TV. A avaliação no PT é que a maioria do eleitorado já está definida e que uma parcela pequena, cerca de 10%, ainda pode ser conquistada, o que torna cada apoio partidário decisivo. Nesse contexto, Lula tem defendido abertamente a necessidade de composições amplas para vencer a eleição, mesmo em estados onde o partido não é forte.
A tentativa de atrair o MDB, porém, é delicada, pois envolve a possibilidade de substituir o atual vice-presidente, Geraldo Alckmin, que é próximo de Lula e deseja permanecer na chapa. Além disso, o partido é dividido internamente, com parte significativa de seus diretórios distante do governo e outros se aproximando de alianças alternativas. Apesar dos riscos de desgaste político e de a articulação não prosperar na convenção do MDB, Lula sinalizou abertura ao diálogo e mantém conversas com lideranças da sigla, que veem na vaga de vice o principal trunfo para justificar uma aliança nacional. Enquanto isso, o cenário segue indefinido, com disputas regionais e interesses locais pesando fortemente nas decisões que podem moldar a eleição presidencial.
Por FOLHAPRESS