Corte de Cassação de Roma rejeitou pedido do governo brasileiro; ex-deputada afirma ser alvo de perseguição política e diz que continuará sua “missão”

A Corte de Cassação de Roma, instância máxima do Judiciário italiano, negou nesta sexta-feira (22) o pedido do governo brasileiro para extraditar a ex-deputada Carla Zambelli. A informação foi confirmada por seu advogado, Fábio Pagnozzi, que afirmou que a decisão reforça a tese de perseguição política contra a parlamentar. Após a decisão, Zambelli apareceu em vídeo publicado por sua defesa na Itália agradecendo a Deus e dizendo que continuará sua “missão”.
Zambelli deixou o Brasil há quase um ano depois de ser condenada a dez anos de prisão por coordenar e financiar a invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Com dupla cidadania, ela acreditava que estaria protegida da prisão ao chegar à Itália, mas acabou sendo detida pelas autoridades italianas dias após desembarcar no país. O governo brasileiro havia iniciado os trâmites para trazê-la de volta ao Brasil após a Justiça italiana aceitar o pedido de extradição.
Durante o período em que permaneceu no exterior, a ex-deputada recebeu uma nova condenação criminal por perseguir um homem armada nas ruas do bairro dos Jardins, em São Paulo, na véspera das eleições de 2022. No fim do ano passado, o presidente da Câmara, Hugo Motta, cassou o mandato de Zambelli após determinação do Supremo Tribunal Federal. Com duas condenações criminais definitivas, ela também perdeu os direitos políticos até o cumprimento das penas.