Crescem tensões entre STF, bolsonarismo e aliados de Trump, enquanto Corte avalia medidas de retaliação e alternativas à dependência internacional

A crescente hostilidade da família Bolsonaro contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), somada a pressões externas ligadas a Donald Trump, esgotou a paciência da Corte. Ministros avaliam que é preciso reagir à “infantilização coletiva” e às ameaças frequentes. Uma das possíveis respostas é aplicar medidas de reciprocidade: se bancos brasileiros forem punidos pela Lei Magnitsky (dos EUA), instituições estrangeiras no Brasil também poderão sofrer sanções equivalentes.
O STF deve atender a uma ação do PT para impedir que bancos brasileiros sejam penalizados por manterem contas de pessoas sancionadas pela Magnitsky. Com oito ministros supostamente na mira de Trump, o Supremo tende a congelar os efeitos da lei americana no Brasil. Bancos precisarão decidir de que lado ficarão.
O caso também expôs a dependência do sistema financeiro nacional da Amazon Web Services (AWS), dos EUA. Enquanto grandes bancos usam a AWS, empresas brasileiras, como o Magazine Luiza, indicam haver alternativas nacionais, como o Magalu Cloud. Também se discute a busca de substitutos para o sistema internacional SWIFT, controlado por países ocidentais. Por Andreza Matais