Deputado do PT denuncia manipulação de discurso atribuída ao presidente e pede apuração eleitoral junto ao TSE

O líder do PT na Câmara, deputado federal Lindbergh Farias, protocolou um pedido junto à Advocacia-Geral da União (AGU) contra o senador Flávio Bolsonaro (PL) devido à divulgação, nas redes sociais, de um vídeo atribuído ao presidente Lula que, segundo o documento, teria sido editado de forma descontextualizada. O pedido afirma que o vídeo apresenta uma fala atribuída a Lula dizendo que “pobre não nasceu para estudar, pobre nasceu para trabalhar”, de maneira absoluta e ofensiva, acompanhada de comentários críticos ao presidente, suprimindo trechos, reorganizando frases e reconstruindo artificialmente o discurso, atribuindo ao chefe do Executivo uma posição contrária à sua trajetória política e às políticas públicas de seu governo.
Na representação, Lindbergh sustenta que a publicação extrapola a crítica política legítima, configurando desinformação estruturada com potencial impacto eleitoral, e que permanece acessível nas redes, sendo replicada por terceiros, ampliando seus efeitos. O parlamentar ressalta que “não há direito fundamental à mentira deliberada” e que a edição dolosa de conteúdo audiovisual constrói artificialmente fatos inexistentes. Além de solicitar a instauração de procedimento no âmbito da PNDD, Lindbergh pede que a AGU adote medidas preventivas e encaminhe cópias ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para registro e eventual apuração eleitoral, destacando que eventual exclusão posterior da publicação não eliminaria a ilicitude, já que os efeitos do conteúdo permanecem no ambiente digital.
Por Felipe Salgado