A mulher começou a trabalhar como doméstica aos 7 anos e foi explorada por três gerações da mesma família, sem salário e sem acesso à educação

Vamos chamá-la de Maria. O nome mais comum do Brasil foi escolhido aqui porque as autoridades não divulgaram sua identidade para protegê-la. A mulher foi resgatada aos 62 anos pelo Ministério Público do Trabalho, em Fortaleza, após passar mais de cinco décadas trabalhando em condições semelhantes à escravidão. Ela começou como empregada doméstica aos sete anos e, durante 55 anos, trabalhou sem salário, férias ou acesso à educação, sendo explorada por três gerações da mesma família.
Segundo as autoridades, Maria vivia isolada, sem dinheiro, conta bancária ou autonomia para circular pela cidade. Ela seguia uma rotina de trabalho desde a madrugada e não tinha consciência da gravidade da exploração, em parte porque não conhecia outra realidade. A mãe dela também havia trabalhado para a mesma família.
O caso é apontado por especialistas como reflexo de um legado histórico da escravidão no Brasil, especialmente pela vulnerabilidade de mulheres pobres e, em grande parte, negras que atuam no trabalho doméstico. A família responsável pelo caso negou as acusações e afirmou que havia uma relação de cuidado e convivência com a vítima.
A família firmou um acordo com o Ministério Público do Trabalho para indenizar Maria e fornecer um apartamento mobiliado. Apesar do resgate, ela permanecerá temporariamente com os antigos patrões enquanto as autoridades buscam familiares e estruturam sua reintegração social, já que a longa dependência criada ao longo dos anos tornou o processo de separação mais complexo.
